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Vamos preparar um bom Negroni!

Um dos mais celebrados coquetéis para tomar antes de refeições é o Negroni. É considerado aperitivo, que abre o apetite. O connaisseur Armando Coelho Borges, velho conhecido da nossa redação, sempre chamado nessas horas de abrir o apetite (e confessado admirador desse drinque), está a postos conosco para informar as porções, as principais variações e contar a história do coquetel.

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O Negroni é um drinque que se gaba de ter três doses iguais de três diferentes bebidas. Armando acentua que é fácil de reproduzir em casa, assim como é inadmissível que um bom bar não ofereça a seus clientes mistura impecável, para não dizer, pelo menos, decente desse coquetel.

Primeiramente, as doses clássicas. Depois, as variações. Por fim, a história do drinque, pois, como vimos em "Coquetel também é cultura" (clique aqui para lembrar), as viagens de sabores e misturas nos conduzem pela geografia e história da nossa própria vida. Tripulação, preparar para decolar.

Negroni (clássico)
INGREDIENTES
>> 1 parte ou dose de Campari (italiano de origem, preferentemente)
>> 1 parte ou dose de vermute tinto italiano (Armando Coelho Borges recomenda vermouth Riccardonna Rosso, de Torino, encontrável em boas casas do ramo)
>> 1 parte ou dose de gim inglês (Armando sugere Tanqueray, de graduação alcoólica 47,3%, ou, se preferir mais suave, gim Plymouth, 41,2%, encontrado nas lojas de importados)
>> ½ rodela de laranja de umbigo, com a casca, retiradas as sementes

MODO DE FAZER
Misture as três doses em recipiente de vidro que permita o ingresso de colher para mexer bem. Mexa bem. Adicione 3 a 4 pedras de gelo novo (de preferência feito com água filtrada). Mexa com a colher, de novo, sem grandes agitações, por cerca de 30 segundos. Derrame, com o gelo, em um copo de old fashioned, colocando ½ rodela de laranja para dar gosto ou enfeitar. Se usar quantidades para copo alto, com mais gelo, lembre-se de que o drinque é ideal para antes das refeições - e não para o final. Cuidado ao tomar coquetel demais. As proporções, no entanto, seguem sendo 1 + 1 + 1, iguais, para qualquer tamanho de copo.

Negroni II
São as mesmas proporções da receita anterior, mudando apenas, ao fazer, misturar o gelo bem mais tempo e não deixar que as pedras acompanham a mistura, que é servida em copo de coquetel (tipo dry-martini) com haste.

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Agora, as variações de Negroni (que não chegam aos pés do original)

Negroni Sbagliato (como diz o nome)
INGREDIENTES
1 dose ou parte de Campari
1 dose ou parte de vermute italiano
1 dose ou parte de espumante (Prosecco italiano)

MODO DE FAZER
Foi uma mistura inventada no Bar Basso, de Milão, e há defensores da fórmula. Segue os passos da primeira receita clássica, só que manda o gim para o espaço. Pena. Há também a variação de reter o gelo da mistura e servir em copo de dry-martini, com o nome Negroni Espumante, servindo Prosecco ou espumante brut para substituir o gim.

Negroski
Popular da Itália. Substitui o gim por vodca. Segue a receita clássica.

Brunosky
Usa Vodca Grey Goose L'Orange (feito na região de Cognac, na França) em vez de vodca comum ou gim. No mais, segue a receita clássica.

Mais variações de Negroni (a considerar).

La Dura Vita
INGREDIENTES
1 ½ dose de gim Plymouth
1 dose de Campari (italiano)
½ dose de vermute tinto italiano (Riccardonna)
Casca de limão siciliano

MODO DE FAZER
Derrame a mistura e mexa bem, acrescentando 5 cubos de gelo. Mexa mais 45 segundos e sirva em copo de old fashioned, com o gelo, guarnecendo com casca de limão siciliano.

Negroni Apéritif (por Armando Coelho Borges)
INGREDIENTES
1 ½ dose de gim Tanqueray importado
½ dose de Campari italiano importado
¾ dose de Punt e Mes (aperitivo italiano importado) que substitui o vermute italiano
1 rodela de laranja de umbigo, retiradas as sementes

MODO DE FAZER
Misture as três doses indicadas em recipiente de vidro que permita o ingresso de colher para mexer bem. Mexa bem. Adicione 3 a 4 pedras de gelo novo (de preferência feito com água filtrada). Mexa com a colher, de novo, sem grandes agitações, por cerca de 30 segundos. Derrame, com o gelo, em um copo de old fashioned. Usar ½ de rodela de laranja de umbigo para enfeitar o copo e ½ rodela para ficar na mistura e fazer combinação com o sabor do Campari e bitter Punt e Mes. A laranja realça ambos.

Negroni Malato
(Negroni Doente, inventado na crise econômica de 2007, no Bar Piccolino, na Exchange Square, em Londres, frequentado por corretores e financeiros do setor bancário)
INGREDIENTES
Além das três doses de praxe (v. acima), servido com suco de laranja pra não assustar o doentinho.

Americano
(Drinque que originou o Negroni, e que se repete aqui pela importância histórica)
INGREDIENTES
1 parte de vermute tinto italiano
1 parte de Campari
1 splash de club soda
½ fatia de laranja e pele de limão siciliano

MODO DE FAZER
Servido em copo pequeno ou em copo maior para Tom Collins. Bata bem, em uma coqueteleira, os dois ingredientes, derrame as pedras e o líquido acrescentando um pouco de água de soda. Sirva com meia fatia de laranja e guarneça com pele de limão siciliano.

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A história do drinque
Parece que tudo começou por causa do cansaço do conde Camilo Negroni com o drinque ¿Americano¿ que ele pedia todos os dias no Bar Casoni, em Florença. O barman, Fosco Scarcelli, ouvindo as queixas, inventou um novo coquetel, adicionando gim nas mesmas proporções ao vermute e ao campari, eliminando a água de soda. Daí surgiu o Negroni, uma mistura mais encorpada e seca (dry), segundo uns em 1919, para outros já nos anos 20. Fosco não ficou com a glória e mais-valia do conde tomou o drinque com seu nome.

Nos anos 20, os futuristas italianos, que levavam esse movimento literário e artístico pelo mundo, adotaram o costume de pedir Negroni como aperitivo. Tornou-se um símbolo para eles e para o chefe do grupo, Filippo Tommaso Marinetti. Das letras e das artes, mais copos de Negroni ajudaram a firmar a popularidade do drinque que, a partir dos anos 40, tudo no século passado, conquistou definitivamente os Estados Unidos. É hoje considerado como um dos coquetéis mais equilibrados pelos sabores, seco e aveludado, contrastantes, que proporciona. É isso aí.

O Negroni tradicional em versão small
O Negroni tradicional em versão small
Foto: Reprodução
Fonte: Especial para Terra

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