Cruzeiros dão novo fôlego ao boom do turismo em Cuba

28 mar 2017
10h04
atualizado às 13h27
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A moda de visitar Cuba viveu uma época de ouro nos dois últimos anos com recordes no número de chegada de turistas, uma bolha que ameaçava explodir depois que várias companhias aéreas americanas decidiram reduzir ou suspender os voos à ilha, mas que encontra novo fôlego nos cruzeiros.

Em 2016, Cuba superou pela primeira vez os quatro milhões de turistas, sendo que 112 mil chegaram em cruzeiros, um número que triplicará este ano, com 370 mil passageiros de navios. As rotas dos Estados Unidos, suspensas em 1961, foram restabelecidas em maio do ano passado.

"Nos próximos dois ou três anos, aposto totalmente na força dos cruzeiros porque é a forma que o turista tem de ter o seu próprio quarto perante a escassez de vagas em hotéis daqui", afirmou à Agência Efe o economista cubano Jose Luis Perello.

Segundo Perello, o cruzeiro permite ao viajante fazer um turismo amplo, já que não fica mais do que dois dias em Havana - alguns também visitam Cienfuegos e Santiago de Cuba - e conhecem o país de uma forma mais superficial, sem sofrer os "inconvenientes" das instalações turísticas ainda em desenvolvimento.

O boom do turismo dos últimos anos, gerado pelo calor do degelo das relações com os Estados Unidos, pôs em evidência as deficiências da ilha: escassez de quartos, serviços de má qualidade e infraestruturas precárias.

No entanto, a grande demanda provocou uma alta dos preços dos hotéis de em média 50% em toda a ilha, embora no caso de alguns hotéis de Havana as tarifas tenham triplicado ou quadruplicado sem que esse aumento se reflita em uma melhora da qualidade, estratégia copiada também por muitos restaurantes.

Foto: ferrantraite / iStock

Enquanto Cuba tenta remediar as deficiências, o cruzeiro garante ao visitante um atendimento com padrões de qualidade: quarto confortável, refeições já incluídas no preço e comodidades como piscina e internet wifi, nem sempre disponíveis nos hotéis de Cuba.

"O navio é confortável, e o serviço, ótimo. Viemos muito à vontade", contou à Agência Efe a britânica Joy, que chegou a Cuba com o marido no cruzeiro do Grupo Thomas Cook, com escala de dois dias em Havana.

A breve parada permite um turismo pontual: "É tudo tão anos 50. É lindo e, ao mesmo tempo, exótico".

Ian, o marido, afirmou que o casal faria iria passear em um carro antigo. "Vamos dar uma volta em um carro americano antigo. É um passeio pelo Havana Velha. À noite, visitaremos o cabaré Tropicana".

O percurso é típico entre os passageiros de cruzeiros. Um clichê que não permite se aprofundar na realidade da ilha, mas dá uma boa impressão da região.

Por outro lado, o alemão Gregory se queixou do atendimento ruim recebido no restaurante do hotel em que estava. "Demoraram muito para servir os pratos e a comida já chegou fria", relatou, apesar de estar feliz em conhecer um lugar tão "exótico" quanto Cuba.

Neste ano, Cuba já superou um milhão de turistas, o que indica uma boa tendência para bater a meta de 4,2 milhões de visitantes até o fim de 2017.

Os Estados Unidos, que ainda não permitem que seus cidadãos viajem a passeio, mas sim em viagens culturais ou acadêmicas, já é o segundo maior emissor de visitantes, atrás apenas do Canadá.

Em 2016, quase 285 mil americanos foram a Cuba, 75% a mais do que em 2015, uma tendência que está sendo mantida no primeiro trimestre deste ano.

A euforia para visitar Cuba, porém, contrasta com a recente decisão das companhias aéreas americanas de baixo custo, como a Silver Airways e a Frontier Airlines, de suspender seus voos à ilha; enquanto outras maiores, como a American Airlines e a JetBlue Airways, reduziram a frequência e enviam aviões menores.

Essa decisão não se deve tanto à perda de interesse dos americanos em visitar a outrora "ilha proibida", mas ao excesso de oferta por parte das companhias aéreas, que restabeleceram voos comerciais a Cuba em 2016 após quase meio século suspensos.

"Ao colocar 110 voos diários, eles não fizeram qualquer análise de mercado, porque isso significa mais de três milhões de passageiros americanos por ano, um número que nem Cancun recebe", advertiu Perello.

Em um momento de crise econômica e cientes de que no turismo está sua fonte de renda mais estável, as autoridades cubanas trabalham na melhora das infraestruturas aeroportuárias e na construção de novos hotéis.

Em abril será inaugurado o primeiro hotel cinco estrelas de Havana, o Gran Hotel Manzana Kempinski, com 246 quartos e administrado pela rede suíça Kempinski em parceria com o grupo de turismo estatal Gaviota. A empresa pública também se uniu à espanhola Iberostar e à francesa Accor para construir outros dois hotéis de luxo na capital cubana.

As obras desses empreendimentos já começaram e fazem parte do plano de Cuba para criar 4.020 novos quartos este ano, que se somarão aos 67 mil já existentes em todo o país. O objetivo é alcançar 104 mil vagas em hotéis até 2030.

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EFE   

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