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 Domingo, em Manaus, é dia de comer em restaurantes flutuantes

Os peixes compõem grande parte do cardápio dos restaurantes flutuantes. Foto: Arnoldo Santos/Especial para Terra

Os peixes compõem grande parte do cardápio dos restaurantes flutuantes
Foto: Arnoldo Santos/Especial para Terra

Morar em casas flutuantes, construídas em cima de gigantescas toras de madeira, não é novidade para o homem da Amazônia. Por isso, aliás, as comunidades da região, que geralmente têm a pesca como atividade principal, são conhecidas como ribeirinhas. Hoje, porém, viver sobre os rios não se resume apenas a uma forma inusitada de moradia. Em Manaus, esse estilo de vida inspirou um tipo de diversão em família bem procurada pela população local e pelos turistas: almoçar nos restaurantes flutuantes.

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Cortada por três igarapés, grandes braços de rio que se estendem por quilômetros, a capital do Estado possui dezenas desses estabelecimentos - concentrados principalmente nas margens do igarapé Tarumã, no extremo oeste. De tamanhos diferentes, a maioria oferece toda a estrutura e serviço de um restaurante construído em terra firme e mais um pouco.

No restaurante da Doró, por exemplo, além de amplo salão coberto para as mesas e até de uma 'área vip' para quem deseja ficar ainda mais próximo da água, os clientes contam com uma piscina. A arquitetura, feita em forma de "T", também serve de atracadouro para as diversas embarcações que lotam o estabelecimento nos finais de semana. "Sempre que posso, venho com a família curtir a natureza e toda a estrutura que é oferecida", diz o médico Afrânio Araújo, de 43 anos, que freqüenta os restaurantes flutuantes com a esposa e o filho.

O que mais atrai no cardápio dos flutuantes são os peixes regionais, que costumam ser fritos, cozidos e até assados na brasa do carvão. Os campeões de pedido são o tucunaré, tambaqui e pirarucu, servidos com acompanhamentos simples, geralmente farofa, arroz branco, salada e vinagrete ou ainda baião de dois, uma combinação de arroz e feijão cozidos. Para os que não gostam de peixe, os restaurantes também servem churrasco de carne bovina.

"Trânsito" é único inconveniente em dias de sol
Em dias de sol, especialmente aos domingos, os restaurantes flutuantes costumam ficar lotados no Tarumã. A paisagem é um contraste entre o verde da floresta e a água negra do igarapé, que é afluente do rio Negro. Outro detalhe impossível de não ser notado nesse cenário é o movimento de embarcações que congestionam o "trânsito" em frente aos estabelecimentos. Para ajudar a organizar o "estacionamento", os garçons também desempenham a função de manobrista marítimo, ajudando a atracar os barcos. De iates luxuosos a pequenas lanchas dotadas de motores de popa, sempre há um lugar para quem chega.

A maioria das embarcações é particular, mas o visitante também tem a opção de alugar (ao preço médio de R$ 5,00 por pessoa) pequenas lanchas que ficam ancoradas na Marina do David, um porto nas imediações da praia da Ponta Negra, bem na entrada do igarapé do Tarumã. Para quem vai aos restaurantes que ficam na margem direita do igarapé, o acesso também pode ser feito por pequenas estradas de terra.

Não há uma estimativa oficial do número de pessoas que costumam freqüentar a área dos flutuantes em um domingo, dia de maior movimento. Mas o grande fluxo de visitantes já começa a preocupar os proprietários dos restaurantes e até moradores da área.

A maior preocupação é com o impacto ambiental. Por isso, os órgãos de defesa do meio ambiente já se uniram à comunidade para divulgar ações preventivas. Uma das primeiras iniciativas é o projeto de tratamento de esgoto nesses flutuantes. O restaurante "Da Tia", por exemplo, localizado em uma pequena enseada do Tarumã, foi um dos primeiros a aderir à iniciativa. Atualmente, todos os dejetos dos banheiros vão para uma caixa coletora, que é parte de um sistema de esgoto que evita a poluição direta dos rios.

Especial para Terra
 
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