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Festa do Guaraná tem rainha, lendas e mitos indígenas no Amazonas

Marivone Ferreira Batista, representando a zona rural da cidade, participou da disputa dos trajes típicos
Foto: Fernando Cavalcanti / Divulgação
 
Priscila Tieppo
Direto de Maués (Amazonas)

A 32ª Festa do Guaraná, que se iniciou nesta sexta-feira (2) em Maués - cidade localizada a 267 km de Manaus -, na Praia da Maresia, trouxe ao amazonenses e demais turistas as lendas e a cultura do fruto, que é a principal fonte de renda da ilha pertencente ao Amazonas. O ponto alto do primeiro dos três dias de festa foi a escolha da Rainha do Guaraná e a eleição do melhor traje típico das dez participantes do concurso.

Suelen Lopes da Fonseca, que representava o bairro Senador José Esteves de Maués, foi escolhida a Rainha do Guaraná. A amazonense, que é jornalista, se emocionou ao receber a coroa e dedicou o prêmio à mãe, que já morreu. "Eu estou muito emocionada e orgulhosa. Queria que a minha mãe estivesse aqui comigo, mas ela está lá em cima olhando por mim", disse, aos prantos.

Marivone Ferreira Batista, representando a zona rural da cidade, ganhou a disputa dos trajes típicos. Usando uma fantasia que abria e fechava sob sua cabeça, formando o desenho de um fruto do guaraná, a moça encantou os jurados.

Para a confecção dos trajes, que sempre fazem referência ao guaraná, são usados folhas, frutos, palha, escamas de peixe, cipó, penas, entre outros. O prêmio para o criador da vestimenta é de R$ 1 mil e para a modelo, R$ 500.

A festa
Para celebrar a colheita, que acontece uma vez por ano a partir do mês de outubro, os produtores se reúnem neste evento para mostrar as diversas formas de consumo do guaraná e a cultura dos moradores - em sua maioria descendentes de indígenas. Dentre as diversas atividades, há a representação teatral da lenda e do mito do fruto.

Maués recebe visitantes de Manaus e de outros estados para a festa, que é uma de suas principais comemorações. Diversos barcos ficam ancorados na praia, enquanto os donos se divertem com shows, apresentações, comidas e bebidas típicas. O evento, organizado pela prefeitura com patrocínio do Guaraná Antártica, chega a movimentar cerca de 5 milhões de reais, de acordo com o prefeito de Maués, Odivaldo Miguel de Oliveira Paiva. "São três meses de preparação da festa que reúne os produtores de guaraná e incentiva a produção do nosso principal fruto", afirmou.

Os moradores da cidade vivem basicamente desta produção. São 52 mil habitantes em Maués e a maior parte vive na zona rural por conta do guaraná. "Entre novembro e janeiro, a produção rende ao município cerca de 7 milhões de reais", disse o prefeito.

Lenda do guaraná
O nascimento deste pequeno fruto, que é a principal fonte de renda de Maués, tem algumas histórias. Em uma delas, o guaraná teria nascido do grande amor entre dois índios, Cereçaporanga, da tribo Mawés, e um rapaz da tribo dos mundurucus. As duas tribos eram rivais, então eles fugiram e foram perseguidos. Desesperados, eles se abraçaram e pediram ajuda aos céus. O deus Tupã lançou um raio sobre os dois. Todos pensaram que eles tinham morrido, mas eles haviam sido levados ao céu para permanecer abraçados e no solo, onde o raio tocou, Tupã fez brotar uma fruta que lembrava os olhos cheios de paixão e energia da índia: o guaraná. O fruto é conhecido por ser fonte de energia e vitalidade.

Atrações
A comemoração acontece até domingo (4) e contará com os shows dos Detonautas (dia 3) e da dupla César Menotti e Fabiano (dia 4). Estima-se um público de 20 mil pessoas por dia, em média. Para chegar à cidade, é necessário ir de barco. Ao todo são cerca de 15 horas por vias fluviais para aportar na cidade, indo pelos rios Ponta Negra, Amazonas e Maués. A vista compensa a demora.

O Terra viajou a Maués a convite do Guaraná Antártica/Ambev.

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