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Turistas redescobrem mercado público e espaços populares

Nem sempre quem desembarca em um destino turístico busca requinte e conforto. Muitas vezes o visitante, seja ele estrangeiro ou não, procura uma maior imersão na cultura e cotidiano do local na hora de escolher os roteiros dos passeios. A percepção desta tendência fez a secretaria de Turismo do Recife promover ações para valorizar os pontos populares e tradicionais da cidade. Entre os espaços mais procurados pelos visitantes na capital pernambucana estão o Pátio de São Pedro e o Mercado de São José, até bem pouco tempo freqüentados exclusivamente por recifenses.

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Inaugurado em 1875, inspirado no mercado público de Grenelle, em Paris, o Mercado de São José, o mais antigo do país, é um monumento do Recife, tombado pelo patrimônio histórico. Atualmente, o local atrai a atenção de turistas que admiram, além da bela arquitetura da construção, a diversidade de produtos como carnes, peixes, frutas típicas, castanhas, cachaças, flores, raízes e ervas, além de uma imensa variedade de produtos artesanais, são boas opções de presentes.

Nas bancas temáticas de artigos religiosos, é possível até consultar cartomantes e fazer "trabalhos espirituais", chamados de "macumbarias". Para quem deseja explorar os sabores e temperos da culinária pernambucana, o mercado é um ótimo local para apreciar, por exemplo, pratos típicos como sarapatel, macaxeira com charque, galinha à cabidela, tapioca, queijo coalho e outras diversas refeições. A qualidade da comida é garantida pela prefeitura local, que capacitou os donos de bancas em cursos de higiene e preparo seguro de alimentos.

Pátio de São Pedro
No mesmo bairro de São José, próximo ao mercado, está o Pátio de São Pedro - núcleo histórico e cultural, onde igrejas e outros prédios compõem o pano-de-fundo para shows e eventos populares. Também no pátio, é possível visitar o Museu de Arte Popular, além de memoriais que lembram as carreiras de dois ícones da música pernambucana famosos em todo o Brasil: Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Chico Science, mestre do movimento manguebeat.

Antes de entrar no Pátio de São Pedro, a dica é visitar a basílica de Nossa Senhora do Carmo, que teve a construção finalizada em 1767. Dentro do templo, diversos altares secundários, que no passado eram patrocinados por famílias ricas da cidade, impressionam pela beleza dos detalhes das pinturas e esculturas. Diz a lenda que uma das torres não foi finalizada, pois dessa maneira, a basílica teria sido eternamente considerada "em construção" para não pagar impostos.

Igreja de São Pedro dos Clérigos
Já no interior do pátio, o visitante encontra, no centro, a Igreja de São Pedro dos Clérigos, construída entre os anos de 1728 e 1759. A sua estrutura é toda feita com pedras dos arrecifes - ainda podem ser encontradas conchas nas paredes frontais. A igreja se diferencia das outras no Recife pelo formato octogonal, diferente das outras, geralmente em formato de cruz.

Na parte interna da igreja, o teto é pintado no estilo barroco pelo artista João de Deus Sepúlveda, conhecido como o "Michelangelo pernambucano". Os balcões são forrados em ouro e as portas feitas da madeira jacarandá. Além disso, a imagem de São Pedro no altar é em tamanho natural e seus dentes feitos de marfim.

Arte, baião e manguebeat
Ao lado da igreja está o Museu de Arte Popular. O local abriga o acervo com mais de 400 obras, em cerâmica, madeira e tecido, que fazem referência à geografia da produção artística de todos os Estados do Nordeste. Suas coleções datam dos anos 1960 a 1980, com destaque para Mestre Vitalino, Zé Caboclo, José Antônio Vieira, Severina Batista, Antônia Leão, Benedito, Bigode, Biu Santeiro, Nhô Caboclo, Ana das Carrancas, Zé do Carmo, Nuca, Louco, As Marias do Juazeiro, Nino, José Duarte, entre outros mestres da arte popular.

O passeio inclui, também, o Memorial Luiz Gonzaga, onde o visitante volta ao tempo em que as músicas eram gravadas em disco de vinil. A voz do rei do baião está por todo o local e se une ao se acervo de fotos, objetos pessoais e discografia. O visitante pode escutar todas as músicas da carreira do músico em um acervo digital. Com uma visita guiada e interativa, toda a trajetória de Luiz Gonzaga é contada, além da história da sanfona e do trio de forró. Estudiosos do tema podem desfrutar do centro de pesquisa com biblioteca e videoteca.

No mais recente memorial do pátio, o visitante conhece mais do ritmo que fez uma "revolução" cultural e encanta gerações: o manguebeat. O Memorial Chico Science é dividido em três ambientes. No primeiro, é possível descobrir mais sobre a vida e obra de Chico, além de ouvir sua discografia e pesquisar assuntos relacionados ao tema. No segundo, a diversão é garantida com um jogo de luzes e projeções, em um cenário de árvores nativas do mangue. O último é reservado para a biblioteca. As visitas também são guiadas.



Fonte: Especial para Terra

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