AC: filha de candidata nega uso de dinheiro para favorecer mãe

09 de setembro de 2010 • 17h17 • atualizado às 17h24

Altino Machado
Direto de Rio Branco

Sócia majoritária da Rede Boas Novas de Rádio e Televisão Ltda., no Acre e Amazonas, a empresária Milena Ramos Câmara, negou que os R$ 472 mil apreendidos pela Polícia Federal em Rio Branco (AC), na segunda-feira (6), fossem destinados à empresa, para favorecer a mãe dela, a missionária Antonia Lúcia, candidata a deputada federal pelo PSC.

O dinheiro estava em poder de um homem cujo nome não foi revelado, dentro de uma caixa de papelão. Segundo a PF, os R$ 472 mil seriam supostamente doados à empresa de comunicação da qual a missionária teve que se afastar do cargo de diretora por causa da candidatura.

Milena Câmara disse que o dinheiro era destinado à Fundação Boas Novas, da Assembleia de Deus, da qual sua família faz parte, e não à sua empresa. A Rede Boas Novas de Rádio e Televisão Ltda tem presença no Acre e Amazonas, onde possui canal aberto de TV e universidade com cursos de teologia e comunicação.

A empresária se recusou a revelar o nome do homem flagrado pela PF com o dinheiro, mas assinalou que é um fiel da igreja há mais de 16 anos e que a doação seria feita "diretamente para a Assembleia de Deus, que é da Fundação Boas Novas". Segundo ela, o homem é do município de Boca do Acre (AM), próximo a Rio Branco (AC).

"Não é dízimo. É um voto feito ao Senhor de abençoar as igrejas da Assembleia de Deus. É quando o evangélico sente no seu coração o desejo de ajudar na obra missionária. Então o fiel resolve fazer a doação de gado, resolve juntar as pessoas em oração, resolve abrir uma casa de recuperação de debilitados. Neste caso, ele quis fazer uma doação em espécie, no valor de R$ 472 mil, que é muito pequena se comparada com os milhões de doações que a Fundação recebe. São doações individuais ou coletivas, da forma que o Senhor tocar no coração dos fiéis", afirmou a jovem empresária.

Milena Câmara é filha da missionária Antonia Lúcia com o pastor e deputado federal Silas Câmara (PSC-AM), diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas.

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra Silas Câmara pelos crimes de falsificação de documento público e uso de documento falso.

No Acre e Amazonas foi divulgado que o deputado é investigado em outro inquérito pelo suposto crime de falsidade do registro de nascimento de Milena Ramos Câmara. Ele teria registrado ela como filha, quando na realidade o pai seria o primeiro marido de Antonia Lúcia.

Terra Magazine
 
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