
Fernando Anitelli, líder da banda O Teatro Mágico
Quando eu tinha uns 16 anos encontrei uma forma de xavecar as meninas: escrevi uma letra de música, que homenageava uma garota, mas que foi escrita de tal forma que, qualquer que fosse o nome, caberia na letra. A menina poderia chamar Julia, Lucileide, qualquer nome serveria, bastava eu substituí-lo.
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Mandei a letra para a Claudinha, menina que eu estava a fim, depois fui à janela dela, fiz a serenata, cantei, ganhei beijinho, tudo lindo, deu super certo. Tão certo que eu quis usar de novo, com outra menina da escola que também me interessava muito, a Renata. Poxa, eu tinha encontrado o xaveco perfeito, era só trocar o nome e lá estava uma música pronta e personalizada para aquela única garota!
Mandei a poesia para a Renata (com o nome trocado, claro) e fui de noite cantar a música na janela da casa dela. Aí, reparei que além dela tinha mais alguém no quarto. "Deve ser a irmã", pensei, e continuei cantando. De repente, quem aparece saindo da casa dela? A Claudinha.
Quis me engolir de tanta vergonha. Elas eram amigas e eu não sabia, acho até que uma já tinha mostrado o poema para a outra, fui descuidado, e perdi de uma vez só as duas. O engraçado é que, quando coloquei o nome de cada uma na letra da música, era nela que eu estava pensando. Aquilo fazia sentido para mim. Não me arrependo. Meu erro foi não ter mapeado o terreno, a escola inteira ficou sabendo e meu super xaveco foi por água abaixo.
DICA DO RAMPA
A mirabolante história do chapa Anitelli é prova cabal de algo que digo há anos: Existem, sim, fórmulas para se xavecar. Ok, elas não são infalíveis, mas existem. Fernando inventou a sua, e teria se dado muito bem se não tivesse sido descuidado - como ele mesmo sinalizou.
Se eu chego numa balada sabendo que posso dizer X ou Y para uma mulher, ora essa, isso é uma fórmula! E não há mal algum em lançar mão dessas formuletas, isso não desmerece a mulher, nem tira a verdade do xaveco. Fernando trocou o nome das meninas na letra da música, mas naquele segundo momento era Renata a sua musa inspiradora e ponto final.
Ok, ele iludiu ao fazer ambas acreditarem que cada verso foi feito exclusivamente para elas. Muito bem, eis um típico exemplo de uma Mentira que Vale. Absurdo seria Fernando prometer namoro, quando só queria galinhar. Ou dizer ser dono do posto de gasolina quando na verdade é o frentista.
Agora, pegar um texto seu e dedicá-lo a quem quer que seja, isso é válido, honesto e generoso. Seu xaveco foi descuidado, é importante martelar isso, pois as duas meninas saíram magoadas da história. Mas se o desejo e sentimento são verdadeiros, parceiro, o xaveco também é.
Todas as segundas-feiras a coluna Meu Xaveco Inesquecível revela cantadas verídicas de famosos e dá dicas quentes para quem pretende se tornar um expert na arte (ou apenas pisar menos na bola).
Fabiano Rampazzo, 34 anos, é jornalista e escritor com quatro livros publicados sobre relacionamento. Para Manual do Xavequeiro (Editora Matrix) o autor entrevistou mais de 200 homens e mulheres de diferentes faixas-etárias, tornando-se um "conhecedor" da arte da conquista.
Especial para Terra
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Divulgação
O cantor Fernando Anitelli usou a música para ajudar no xaveco
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