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Tumor benigno de próstata pode acometer 80% dos homens

 

A hiperplasia benigna da próstata (aumento da glândula prostática) é o tumor benigno mais comum entre os homens. Apesar do grande número de casos, poucas pessoas sabem detalhes da doença. Quer conhecer seus sintomas, forma de diagnóstico e opções de tratamento? Então, confira as explicações do urologista Oskar Kaufmann, membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einsten, de São Paulo.

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1) Estudos mostram que a patologia detectável nos tecidos tem início durante a quarta década de vida e pode acometer até 80% das pessoas do sexo masculino com 50 anos ou mais (equivalente a 14 milhões de brasileiros), segundo dados da SBU;

2) Uma das características mais importantes da hiperplasia benigna da próstata é a falta de correlação entre o tamanho prostático e os sintomas urinários. Muito embora a possibilidade de queixas seja maior conforme aumenta a glândula, muitos homens com próstatas grandes não apresentam sintomas significativos, enquanto outros com próstatas pequenas são muito sintomáticos;

3) Os sintomas são classificados como de enchimento ou esvaziamento. Os do primeiro grupo incluem aumento da frequência miccional, nictúria (micções noturnas), urgência miccional, incontinência (perda urinária) por urgência. Já as queixas de esvaziamento são jato urinário fraco, demora para iniciar o jato, gotejamento terminal e sensação de esvaziamento incompleto;

4) Para prevenir o surgimento dos sintomas, é indicado ir ao médico regularmente. Além da história do paciente, devem ser realizados exame físico geral e urológico completo (incluindo toque retal), fluxometria livre (medida do fluxo urinário em ml/s) e exames laboratoriais (PSA, hemograma, dosagem de glicemia de jejum e exames de urina);

5) Essa avaliação de rotina de homens acima dos 40 anos tem dois objetivos: avaliar a presença da hiperplasia benigna da próstata e quantificar os seus sintomas, e detectar a presença ou ausência de câncer de próstata;

6) O tratamento clínico pode ser feito por meio de alterações do estilo de vida (como redução do consumo de líquidos) ou de duas classes principais de medicações: alfa-bloqueadores e bloqueadores da enzima 5 alfa-redutase. A primeira relaxa a musculatura ao redor da próstata, permitindo melhora do jato urinário e redução dos sintomas. Seus efeitos colaterais incluem queda da pressão arterial e tonturas, principalmente no começo. A segunda, em médio prazo, leva a uma redução de até 30% no volume prostático e 50% nos valores de PSA, além de diminuir a possibilidade de retenção urinária aguda. Pode provocar queda da libido, que é reversível com a suspensão do remédio;

7) O tratamento cirúrgico é indicado para pacientes que não responderam ao clínico ou que não desejam lançar mão dos remédios por longos períodos, quando existem cálculos na bexiga e em casos de comprometimento do trato urinário superior, de infecções recorrentes e de sangramento;

8) Entre as possibilidades cirúrgicas está a ressecção transuretral convencional da próstata, método clássico em que a próstata é retirada pela uretra em fragmentos por um bisturi com passagem de corrente elétrica. Esse procedimento por via endoscópica é realizado em grande parte dos homens com indicação de cirurgia. Tem como principais vantagens pouca ou nenhuma dor no pós-operatório (por não haver corte), melhora imediata do fluxo urinário/sintomas miccionais e rápido retorno às atividades diárias;

9) A prostatectomia suprapúbica, por sua vez, é realizada por uma incisão abdominal acima do osso púbico. Essa opção é pouco utilizada atualmente e fica reservada aos pacientes com próstatas de grande volume ou àqueles com patologia vesical associada;

11) O procedimento cirúrgico green light laser chegou ao Brasil recentemente e tem mostrado resultados tão eficientes quanto os métodos tradicionais, com vantagens em relação ao tempo de internação, menos dor e melhor recuperação pós-operatória. A fibra de laser é introduzida pela uretra, por meio de um instrumento acoplado a uma câmera de vídeo que permite a visualização do procedimento. O laser então é direcionado para o tecido prostático, que vai sendo literalmente vaporizado pela ação do ¿raio verde¿. Além disso, apresenta um mínimo de sangramento, porque, ao mesmo tempo em que vaporiza a próstata, realiza a cauterização dos vasos sanguíneos, evitando sangramento durante todo o processo. Muitos pacientes nem precisam utilizar cateter (sonda na bexiga) no pós-operatório, com a grande maioria ficando livre dele 24 horas depois a intervenção;

12) O tratamento com o green light representa um avanço também para os homens que precisam utilizar drogas anticoagulantes ou ácido acetilsalicílico, como os cardiopatas. É que não há necessidade de suspender os medicamentos para realização da cirurgia, porque ela apresenta um mínimo de sangramento;

13) No Brasil, ainda não há dados precisos de quantas pessoas utilizaram o green laser. No mundo, cerca de 375 mil já se submeteram ao procedimento;

14) Se a hiperplasia benigna da próstata não for tratada, o aumento do volume da próstata pode abrir espaço para uma série de problemas, como retenção urinária, presença de cálculos na bexiga, infecções urinária de repetição, sangramento.

Redação Terra