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Nova tendência hipster no verão novaiorquino é ser barrigudo

Antes de mais nada, você sabe o que é um hipster? Acredite quando digo que você conhece vários. É aquele grupo de pessoas que adora se vestir de maneira esquisita (e iniciam tendências por causa disso), especialmente abusando de camisetas e malhas justas que parecem ter mais de 10 anos de uso, calças jeans mais apertadas, chapéus ou bonés ou capuz de moletom, tênis Puma ou All-Star, óculos Elvis Costello (se você for maior de 50 anos imagine os de Carlos Lacerda) e cabelos que variam de um afro para brancos ao estilo Mick Jagger dos anos 60, com aparência de serem lavados uma vez a cada trimestre. Adoram qualquer produção independente seja de cinema ou de música (coisas que você nunca ouviu falar e que vão se tornar moda), lugares alternativos e seu lema é baseado na famosa frase de Clark Gable em E o Vento Levou: "Francamente, eu não dou a mínima".

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O movimento (que aliás, detesta ser chamado de hipster) existe nos Estados Unidos desde os anos 40 quando os jovens wasp (brancos, anglo-saxões, portestantes) descobriram o jazz e a cultura afro-americana e eram chamados de "negros brancos". Ganhou força depois com Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Norman Mailer, que os definiu com as pessoas em divórcio com a sociedade e quebrou-se em muitas outras tribos como os hippies, os punks, os indies etc. Se vocês fizer uma busca na internet pelo termo hipster vai descobrir que eles são tão odiados quanto os emo e são alvo de paródias e brincadeiras como o Hipster Bingo ou muito bem-sucedido blog Look at this F* Hipster (olhe esse maldito hipster, em tradução comportada). Até mesmo a famosa revista Time Out chegou a publicar um artigo chamado "Por que os Hipsters tem que morrer. Uma proposta modesta para salvar o que é cool em Nova Iorque". No Brasil, o blog Você não é hipster, é cafona também aproveita para perturbar a comunidade, enquanto a grande publicação hispster Vice Magazine ganha uma versão nacional e traz o que rola nesse mundo.

Entenda-se que a maior crítica a eles parte do fato de que a maioria do pessoal alternativo vem de classe média alta, muitos ganham dinheiro dos pais, gastam para parecer que não tem nada e não perdem a chance de comprar seu Mac para assim poder blogar e tweetar o dia inteiro. Ao mesmo tempo, se dizem contrários à convenções sociais e ao capitalismo exagerado. Preconceitos à parte, pode apostar que muita coisa boa que você curte hoje aconteceu graças ao fato dos hipsters procurarem o novo e descobrirem talentos escondidos. A volta do óculos escuros Ray Ban, modelo Top Gun, está aí para provar o poder desse pessoal.

Agora o jornal The New York Times traz em suas páginas que o verão americano foi inundado por formosas barrigas de chopp masculinas enfiadas em camisetas justas. O grande motivo? Os hipsters assim definiram. Isso porque, por irem na contramão da sociedade, o pessoal alternativo quer justamente se distanciar da figura esbelta, esportiva e sarada do presidente Barack Obama. O editor da revista masculina Details, Don Peres, afirmou que se um relaxado estivesse na Casa Branca, os hipsters estariam desfilando com barrigas-tanquinho como se fossem modelos de calendário de strippers.

Já Aaron Hicklin, editor da revista gay Out afirmou para o jornal que a obsessão em manter um abdomen sarado ficou tão exagerada, que deixou de ser algo masculino. Segundo ele, o que parecia ser jovial e sexy, tanto para homossexuais como para heteros, agora está passado. "Ficar se preocupando com o corpo o tempo todo não é cool", complementou. Por outro lado, o personal trainer Robert Morea não acredita que seja bom uma barrriga grande de repente se tornar aceitável, embora creia que a era dos homens muito musculosos está chegando ao fim, sendo substituída por músculos definidos sem serem exagerados.

Especial para Terra