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06 de dezembro de 2013 • 12h02

Elas falam o que acham de aplicativos para avaliar o outro

Mulheres dizem se apagariam o perfil no Tubby, caso ele existisse, e o que acham do Lulu

Algumas mulheres já se anteciparam e tiraram o perfil do ar, considerando as hashtags muito agressivas
Foto: Reprodução
  • Danielle Barg
 

O Lulu, aplicativo que ‘bombou’ nas últimas semanas, tinha o objetivo de dar a oportunidade às mulheres de avaliarem, anonimamente, o desempenho de ex-companheiros com base em dados do Facebook. Para essa semana, estava previsto o lançamento da versão masculina, o Tubby, no qual os homens poderiam comentar a performance sexual delas. "Sua vez de descobrir se ela é boa de cama” era a frase de boas-vindas. O aplicativo chegou a ser proibido pela justiça brasileira, com a justificativa de que seria uma forma de violência contra a mulher, e nesta sexta-feira (6) foi feito o anúncio oficial, em vídeo, de que tudo não passava de uma crítica ao machismo.

Mas o que elas pensam sobre esse tipo de avaliação pública?

Algumas mulheres se anteciparam e trataram de excluir o perfil antes mesmo de poderem ser avaliadas. É o caso da publicitária Larissa Mattar Rozanski, 25. Ela está solteira, mas quando soube dos boatos excluiu a conta porque achou “os termos muito pesados”. “Foi divulgado que teriam coisas como #engoletudo. Qualquer um pode ir lá e avaliar como quiser. Eu tenho familiares e pessoas do trabalho que poderão ter acesso a essas informações e eu poderia ter a minha imagem denegrida”, afirma.

Já a jornalista Paula Silva, 25, atualmente está namorando, mas não estava preocupada em desaparecer do aplicativo. “Não excluiria o meu perfil por dois motivos: sou avessa às novidades tecnológicas e me atrapalharia ao fazê-lo. E não me importo com a opinião alheia. Sei que qualquer um – inclusive um completo estranho - pode fazer um tipo de ‘avaliação’. Basta o mínimo de bom senso para não levar essa bobagem a sério”, pontua.

“Mesa de bar”
Nenhuma das entrevistadas pelo Terra vê algo positivo em um aplicativo como o Tubby. Segundo a analista de desenvolvimento Manuella Vargas, 23, este tipo de aplicativo tem a mesma função que uma mesa de bar ou uma roda de amigos. “Dali sempre saíram os comentários e a ‘pontuação’ para os paqueras como existe hoje nos aplicativos. O grande problema além da exposição é a intenção da pessoa que está dando sua opinião, como estar impulsionada por raiva, rancor ou querendo uma vingança, por exemplo."

A assessora de imprensa Priscila Gomes de Freitas, 28, classifica a novidade como “perda de tempo”. “Vi em uma reportagem uma menina falando que o Lulu era um aplicativo para ajudar as mulheres modernas a se relacionar. Achei ridículo porque se você precisa de um aplicativo ou tecnologia pra conhecer alguém, daqui a pouco estará namorando uma máquina.” 

Paula ressalta que a prática é invasiva e perigosa. “Ambos [Tubby e Lulu] têm como objetivo expor intimidades e disseminar mentiras. Parece que voltamos à escola, quando as enquetes passavam de sala em sala. Quem não inventava uma vantagem ou aproveitava para cutucar um desafeto? A oportunidade é apenas para quem quer brincar com os amigos ou prejudicar alguém. Gente ressentida deve gostar”, afirma.

Larissa concorda e reforça que a prática da avaliação via rede social acaba soando como invasão de privacidade. “Principalmente em se tratando de coisas tão íntimas que podem ser ditas por pessoas que você nem tem em sua rede de amigos. Mesmo se bem avaliado, o legal é ouvir um elogio pessoalmente, saber de onde veio”, analisa.

“Cardápio humano”
O fato de um homem se pautar pelo que veria no aplicativo também conta como ponto negativo na opinião delas. Para Manuella, ter a avaliação do Tubby como parâmetro é um indicativo de que  eles não querem nada sério. “Mostraria que o cara definitivamente estaria saindo para a caça e não para conhecer realmente alguém. Até porque, com tantas opções em um ‘cardápio humano’ , se ele já sabe o que quer vai pelo caminho mais fácil”, observa.

Para Larissa, “homem que é homem não baixa esse tipo de aplicativo”. “Nem para fuçar e muito menos pra avaliar, afinal de contas o bar esta ai desde 1950 pra isso, não é mesmo? Resumindo, ele seria descartado na mesma hora”, enfatiza.

Paula não se importa com o fato do homem olhar, apenas pela curiosidade. “O que contaria é a opinião dele sobre o aplicativo e o quanto dá valor a uma hashtag.”

Novo aplicativo seria a 'revanche' dos homens na avaliação das mulheres
Foto: Getty Images

Só uma olhadinha
Quando o poder está nas mãos delas, voltando ao Lulu, elas contam que usariam o aplicativo apenas por curiosidade.

Paula ressalta que o aplicativo pode parecer engraçado, mas tem limite. “Até que nos afete de alguma forma. Eu teria ciúmes de olhar, com certeza. Por isso não procurei, não perguntei para nenhuma amiga que tenha baixado o aplicativo”, conta.  

Para Priscila, o Lulu não seria algo útil. “Para isso temos Facebook, Twitter. Nestas redes sociais você consegue ver um pouco do que a pessoa é, mas claro que para conhecê-lo só convivendo mesmo. O que eu penso mesmo é que a avaliação tem que ser minha. Não vou ficar olhando avaliações de outras pessoas pra decidir se quero me relacionar com alguém ou não.”

Larissa também não aprova os apps, mas conta que baixou o Lulu e deu “uma olhada”. No entanto, se a página fosse de alguém com quem estivesse se relacionando, a coisa mudaria de figura. “Imagina eu ler que o meu namorado foi avaliado com ‘mãos magicas’? Eu poderia até guardar pra mim, mas por dentro eu iria me corroer”, afirma.

Ela acredita que apesar de as hashtags serem engraçadas, a prática deve ter limite. “Essa brincadeira pode sim estragar relacionamentos, pode queimar a pessoa em ambientes de trabalho, pode gerar bullying e trazer uma série de problemas de autoestima para pessoa, tanto ela sendo homem quanto mulher”, conclui. 

Terra