Monica Buonfiglio

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Sábado, 20 de novembro de 2010, 19h56

O Brasil racista no dia da consciência negra

O Brasil é racista? Muito. Mas nosso país está tentando mudar este conceito por meio de ações afirmativas, além de usar a justiça para proibir manifestações de racismo (código penal 146; constrangimento ilegal). Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo revelou que grande parte dos brasileiros - 87% - admite que há discriminação racial no país, mas apenas 4% da população se considera racista.

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A campanha "Onde você guarda o seu racismo?", realizada pelo governo brasileiro, tem como objetivo provocar uma reflexão individual e, principalmente, conscientizar a população contra o preconceito racial. "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela)

Você sabe por que dia 20 de novembro é o dia da consciência negra? No município de União de Palmares, distante 77 km de Maceió, está registrada a lembrança do heróico negro Zumbi - Ganga Zumba - e dos seus companheiros que lutaram contra a opressão para defender a liberdade de uma raça. No dia 20 de novembro de 1695, Zumbi foi assassinado no Quilombo dos Palmares e, neste mesmo dia, na Serra da Barriga, foi criada a República Livre dos Palmares.

Zumbi é considerado o herói da raça negra do Brasil e do povo brasileiro, transformando-se no grande ícone da força negra. A comemoração desta data é importante para ecoar em todo país o grito de liberdade, justiça, cidadania e inclusão social. Todos deveriam refletir sobre a consciência negra e a melhor forma é valorizando nossa cultura. É importante priorizar a eliminação da inferiorização do negro diante da sociedade. Neste dia de comemoração é feriado em mais de 225 municípios, segundo a Secretaria Especial de Política de Promoção de Igualdade Racial.

Em 2003, uma lei estabeleceu o dia de hoje como parte do calendário escolar brasileiro, tornando obrigatório o ensino de História da África nas escolas públicas e particulares; mas tudo isso ainda está distante da realidade que sê vê nas salas de aula. Só podemos construir uma história verdadeira preservando a memória e conhecendo os fatos legítimos. Por exemplo: poucos sabem, mas antes de 1888 a maioria dos negros de Salvador já havia comprado suas cartas de alforria. Em 1822, foram os primeiros a darem boas-vindas à nação que estava acabando de nascer, depois da Independência do Brasil. A comemoração ocorre desde 1970. Antes, celebrava-se a data no dia 13 de maio, dia da abolição da escravatura.

Racismo
O racismo, que sustenta a superioridade de certas raças, é prejudicial, sem dúvida. Mas sabemos que em qualquer sociedade existe o etnocentrismo. Existe uma tendência do ser humano em formar grupos de aliança com qualquer semelhança que tenham como cor de pele, sotaque ou roupa.

Mas o racismo no Brasil acontece há muito tempo. A Igreja Católica aceitou a escravidão baseada na passagem bíblica de que em Canaã, o filho de Noé, embriagado, foi condenado à servidão ¿ Gênesis 9,25. Em 1835, por exemplo, os negros africanos chamavam os negros nascidos no Brasil de "crioulos" e estes revidavam chamando-os de "pretos".

Os índios urubus do Maranhão acreditam que os homens vieram das madeiras, só que eles vieram das boas, enquanto que seus vizinhos de cor mais escura se originaram das podres. A questão racial teria começado no século XV, quando a inquisição obrigou os judeus a se converterem ao cristianismo. Na mesma época, europeus chegaram à África e encontraram uma raça diferente do que conheciam, julgando-se superiores.

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Especial para Terra

Getty Images
Segundo pesquisa, 87% dos brasileiros admitem que há discriminação racial no país
Segundo pesquisa, 87% dos brasileiros admitem que há discriminação racial no país

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