Casa e Decoração

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Cores: aprenda a combiná-las com harmonia na decoração

O círculo cromático foi criado por Isaac Newton e ajuda os profissionais a harmonizarem as cores na moda e na decoração
Foto: Getty Images
 
Juliana Crem

As cores invadiram a moda no ano passado e vieram para ficar com a onda do color blocking. A tendência fez tanto sucesso que acabou ganhando a decoração. "Houve uma época em que só se usavam cores pastel na decoração, hoje as cores vibrantes voltaram com tudo e em uma enorme gama de tons. Pessoalmente, gosto de combinar cores neutras a tons fortes, pois deixam o espaço aconchegante", lembrou a arquiteta Carla Dichy, da capital paulista. Apesar das tendências, não se combinam as cores aleatoriamente, já que existem técnicas profissionais para harmonizá-las sem cometer exageros.

Arquitetos, decoradores, designers e até estilistas lançam mão do círculo cromático para poder harmonizar os tons e criar efeitos que não são cansativos ou exagerados. Saber usá-la é uma das artimanhas que mesmo leigos podem aproveitar na hora de decorar um ambiente. "Mas é preciso lembrar que a cor nunca vem sozinha. Ela sempre vem acompanhada de texturas, sobreposições que precisam ser levadas em consideração", lembrou Anna Rezende Galeotti, coordenadora do curso de Designer de Interiores da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo (SP).

Círculo cromático
Para entender como funciona o círculo cromático, é preciso entender o que é a luz. Segundo o professor do curso Técnico em Design de Interiores do Senac-SP, Josivan Pereira da Silva, a cor é uma sensação provocada pela luz no órgão da visão, mas que não é a própria luz. "Não existe cor sem luz, seja solar ou artificial", contou. O docente ainda explicou que depois de desenvolver a lei da gravidade, o físico Isaac Newton se interessou pelos estudos da teoria da luz e, baseado em experimentos que realizou e nas observações de outros filósofos, revolucionou o estudo sobre o assunto. "Em 1666, Newton criou um gráfico circular com as sete cores do arco-íris distribuídas na circunferência. Este seria o primeiro círculo cromático", contou.

"A roda de cores é uma ferramenta fundamental, pois com ela é possível checar as combinações. Basta colocá-la sobre um tecido para saber se realmente combina", contou Carla. O disco cromático é composto pelas cores primárias, secundárias e terciárias: azul, amarelo, vermelho, verde, laranja, roxo, azul esverdeado, azul violeta, amarelo esverdeado, amarelo alaranjado, vermelho alaranjado e vermelho violeta. O branco, o preto e a cinza são cores neutras, por isso são consideradas curingas. "Quem não quer errar pode apostar em uma decoração cinza e, ali jogar qualquer cor em parede, almofadas, estofados etc que fica lindo", ensinou Anna.

Multicombinações
"Quando queremos combinar cores, usamos as harmonias, que provavelmente foram criadas a partir da observação da natureza", falou Silva, que citou as harmonias mais utilizadas.

- Policromia: é o emprego de muitas cores num mesmo trabalho, formando um todo agradável;
- Monocromia: usa-se apenas uma cor, podendo estar em diferentes tons (claros ou escuros) e também é conhecida como tom sobre tom;
- Análogas: é quando reunimos quatro cores que aparecem em sequência, juntas no círculo. Não há contrastes porque todas têm uma cor em comum;
- Complementares: também chamada de harmonia oposta ou contrastante, combina cores que ficam opostas na roda de cores, mas que se complementam por possuírem força e extensão;
- Harmonia de 60°: cada fatia do disco tem 30°, portanto são as cores que formam a figura de um triângulo equilátero, com três lados iguais. Escolhemos uma cor do círculo, pulamos três e escolhemos a próxima;
- Harmonia de 90°: forma o desenho de um quadrado no círculo. Escolhe-se uma cor, pula as duas seguintes e escolhe a próxima até completar o quadrado;
- Harmonia de 120°: usa-se uma cor do disco, pula a seguinte e pega a próxima, até formar o desenho de um hexágono no círculo.

Como usar
Na hora de colocar em prática as harmonias, é preciso levar em conta as proporções do espaço, de acordo com Carla Dichy. "Se você pintar uma cozinha de 5 x 7m com uma cor forte, vai ter a sensação de diminuição do ambiente, mas funciona. Se usar a mesma cor num cômodo de 2 x 2m, vai ficar claustrofóbico. Mas se pegarmos uma única parede para aplicar a cor forte, como laranja, vermelho, verde, e deixar o restante claro, preferencialmente branco, vai dar destaque, quebrar a monotonia e alegrar, sem fechar o espaço", ensinou.

As cores podem também aparecer em detalhes de pastilhas ou mosaicos nas paredes. "Exagero é sempre o principal erro. O segundo é o medo de ousar. Muitas vezes, por medo de errar, escolhemos cores muito claras e pálidas e o ambiente fica sem graça", lembrou a arquiteta.

Anna recomendou que se observe o espaço como um todo, sem descartar a arquitetura. "Se você colocar um ambiente todo azul, o olho automaticamente vai criar outras cores para não se cansar. Por isso que o monocromático é cansativo. Mas se você usar variações de tons e tiver um piso de madeira, por exemplo, já está ajudando a quebrar essa monotonia cromática. Além disso, é preciso reparar não apenas nas cores dos materiais como madeira, tijolos, cimento etc, mas também nas informações que estão na sua janela. Se o seu vizinho tiver uma parede bem amarela, você vai estar observando ela com frequência e aí ou neutraliza ou tenta harmonizar para não se cansar visualmente", destacou. Por isso, até mesmo o fato de a janela ter vista para um prédio ou um jardim devem ser levados em consideração na hora de determinar as cores dos ambientes da própria residência.

Silva contou que se for usar a cor nas paredes, é preciso observá-la em horários diferentes, pois dependendo do modo como a luz incide ao longo do dia, temos uma percepção diferente da cor. Os tons não precisam ser usados puros também, mas podem ser mesclados aos tons neutros para ficarem mais claros ou escuros, em matizes diversas.

Para quem não quer errar, Anna deixou dicas simples de harmonia: "as pessoas precisam ter em mente que os contrastes sempre dão certo. O olho foi feito para os contrastes. Além disso, se não pode contratar um designer de interiores, confie nas lojas de estofados, pois eles estudaram o círculo cromático e podem ajudar na harmonia de cores. Outra forma de acertar é fazer combinações contrastantes simples como preto e branco, amarelo e azul e verde e vermelho. Não tem erro. Ainda assim, se a pessoa errou na cor que escolheu para a parede, mude. Pintar a parede não pode ser um drama", destacou, recomendando que batentes e portas sejam sempre brancos.

O professor do Senac-SP contou ainda que o cérebro não guarda o tom certo das cores. "Saberei que se trata do vermelho, mas o tom certinho, não vou saber. Ainda mais quando tiver vários tecidos na cor vermelha", destacou. Por isso, a dica do profissional é "sempre leve uma amostra do tecido ou do item que pretende comprar".

Para a professora, que é especialista em cores, cada pessoa tem um tom de preferência e um tom que fala sobre o momento que ela está vivendo. "Não necessariamente a cor preferida vai ser aquela usada para colorir a casa", afirmou. E as preferências mudam conforme a fase da vida, sendo que o ciclo mais comum é de dois anos, por isso, é comum enjoar dos tons da casa.

Agradecimentos
Carla Dichy: (11) 3063-2936
Senac São Paulo: 0800-883-2000
Universidade Anhembi Morumbi: (11) 5095-5600

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