“Toda pessoa pública tem responsabilidade social”, diz Tas

Em entrevista exclusiva ao Terra, Marcelo Tas conta como é seu engajamento social na Casa do Zezinho, em São Paulo

1 set 2014
10h37
atualizado em 2/9/2014 às 11h29
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Engenheiro por formação, apresentador de tevê, diretor, escritor, jornalista, roteirista, e voluntário. Marcelo Tristão Athayde de Souza, 54 anos, ou simplesmente Marcelo Tas, diz em entrevista exclusiva ao Terra como é a sua presença social e sua visão sobre o engajamento de pessoas públicas e do brasileiro, em geral. 

No programa Conversa de Gente Grande, da TV Bandeirantes, Tas interagia com as crianças, assim como acontece em seu trabalho social na ONG Casa do Zezinho, onde é voluntário até hoje
No programa Conversa de Gente Grande, da TV Bandeirantes, Tas interagia com as crianças, assim como acontece em seu trabalho social na ONG Casa do Zezinho, onde é voluntário até hoje
Foto: Facebook/MarceloTas / Divulgação

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Terra – Depois de concluir a faculdade de Engenharia, você esperava migrar para a comunicação? Como tomou essa decisão?

Marcelo Tas – A mudança, como sempre, veio da vida ao redor. Um grupo de colegas engenheiros fazia um jornalzinho de humor na faculdade – o que me despertou o interesse e amor pela comunicação. Virei editor do jornal por dois anos, me interessei por outros cursos e pessoas generosas com quem aprendi muito pelo caminho. Nunca mais parei.
 
Terra – Fora a TV e a internet, quais as atividades te dão mais prazer?
Tas –
Cuidar de plantas, cozinhar e jogar games.
 
Terra – Falando do seu papel social, quando começou a se envolver com causas do terceiro setor e por quê?
Tas –
Na década de 1990, fui convidado para dar um workshop de vídeo na Amazônia. Foi assim que conheci o projeto Saúde & Alegria, uma ONG que oferece medicina preventiva numa área imensa situada ao redor do encontro dos rios Amazonas, Tapajós e Arapiuns. Foi uma experiência preciosa, especialmente, em dois aspectos: enxerguei o tamanho da nossa ignorância sobre a Amazônia e também descobri o poder do trabalho voluntário. Depois disso, me tornei voluntário na Casa do Zezinho, na Zona Sul de São Paulo, onde estou até hoje. 

Quando nos colocamos a serviço de uma causa sem esperar nada em troca, recebemos muito mais do que podemos dar. É um grande mistério. Através dessa prática colocamos a mão na massa e fazemos as coisas acontecer. Fica muito claro uma coisa importante: quem muda ou não a sociedade somos nós mesmos.

Não adianta ficar só reclamando dos políticos pilantras ou esperar as coisas caírem do céu. Nunca aprendi tanto sobre o Brasil e sobre mim mesmo como nessa minha temporada de mais de dez anos na Casa do Zezinho.
 

Terra –  Na sua visão, pessoas públicas deveriam ter compromisso com o social?
Tas –
Toda pessoa pública tem responsabilidade social mesmo as que não se engajam numa causa específica. O público vai nos perceber muito mais através das coisas que a gente faz do que pelo que a gente fala. Daí a importância de todos os artistas, comunicadores, líderes empresariais, esportistas... se posicionarem diante da imensa tarefa que é aperfeiçoar a sociedade brasileira, uma das mais desiguais e injustas do planeta.
 
Terra – Sobre a Casa do Zezinho: é a única em que você atua como voluntário?
Tas –
Participo e apoio algumas instituições do terceiro setor. Recentemente me tornei membro do conselho consultivo do iPDR- um instituto criado para fortalecer iniciativas sociais inovadoras. Apoio causas pontuais na área da educação, como algumas do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Xuxa e a dos Amigos da Poli. 

Esta última é uma iniciativa de engenheiros formados na Escola Politécnica da USP que resolveram criar um fundo entre ex-alunos com a finalidade de investir em projetos para aperfeiçoar o ensino da escola onde a gente estudou. É uma coisa muito comum nos Estados Unidos que felizmente começa a acontecer no Brasil.
 
Escolhi a Casa do Zezinho como minha atividade voluntária principal, a única onde participo do dia-a-dia. Só depois de começar a frequentar a Zona Sul- estou falando do Capão Redondo, Jardim Ângela e Parque Santo Antônio, bairros atendidos pela Casa do Zezinho - passei a me sentir parte de toda cidade de São Paulo. E não apenas de uma fração dela. Com os Zezinhos entendi que o aprendizado pode e deve ser lúdico. Lá a gente aprende a conviver, ensinar e aprender, tudo ao mesmo tempo, com todo mundo junto.
 
Terra – Ajudar o próximo inspira outras pessoas a fazê-lo? Você já ouviu fãs dizerem que começaram a ajudar depois de vê-lo fazer o mesmo?
Tas –
Sim, é uma grande alegria quando vem gente que está fazendo coisas maravilhosas por esse Brasilzão me contar que se inspiraram em algo que viram lá na Casa do Zezinho. Temos que promover essa contaminação entre pessoas que fazem as coisas de verdade acontecer no País. Tem muita gente de talento ralando firme por aí. No Brasil, há uma tendência forte de só ver o que dá errado. Temos que promover sempre o encontro dos que têm coragem de enfrentar e vencer a pasmaceira com arte, trabalho e bom humor.

Terra – Para você, o brasileiro ainda carece de engajamento nas causas sociais?
Tas –
Nos últimos anos, sem dúvida, cresceu muito o engajamento social dos brasileiros. Claro, ainda há muito a se fazer. No dia em que a pessoa descobre o poder de se entregar para causas em que a gente acredita, não tem como voltar atrás. 

Terra – Quais são seus planos para o futuro, no lado artístico? E no lado social?
Tas –
Estou trabalhando nesse momento na equipe de Comunicação e Captação da Casa do Zezinho. São meninos, meninas, homens e mulheres talentosos que estão redesenhando as teias de comunicação da Casa para facilitar com que qualquer pessoa da sociedade brasileira possa conhecer, participar e apoiar os projetos lindos que estão em andamento por lá. Convido todos a aparecer e ver ao vivo como a gente trabalha. O cafezinho e docinhos são por nossa conta (há um ateliê de gastronomia na Casa do Zezinho, sabiam?!).

Fonte: Dialoog Comunicação
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